Drones com imagens térmicas versus imagens infravermelhas
- Ricardo Gallardo
- há 1 dia
- 7 min de leitura
Como distinguir entre energia refletida e emitida para otimizar as operações de segurança e agricultura de precisão.

Se você trabalha com drones em inspeções industriais, segurança pública ou agricultura de precisão, provavelmente já percebeu que os termos "drone térmico" e "drone infravermelho" são frequentemente usados como sinônimos.
Este é um erro técnico comum que pode ser dispendioso.
Embora ambas as tecnologias operem no espectro infravermelho, seu comportamento físico é radicalmente diferente. Escolher a tecnologia errada pode significar a diferença entre encontrar uma pessoa desaparecida à noite ou perdê-la; ou entre detectar uma praga agrícola a tempo ou confundi-la com estresse hídrico.
A termografia captura o calor emitido pelos objetos, enquanto o infravermelho captura a luz refletida em comprimentos de onda específicos do infravermelho. Embora estejam próximos no espectro, uma vez em voo, seu comportamento é muito diferente.
Neste artigo, detalhamos a física por trás dos sensores, explicamos as diferenças cruciais entre a termografia (LWIR) e o infravermelho refletido (NIR) e ajudamos engenheiros e técnicos a escolher a carga útil certa para sua missão.
A base física:
O que estamos medindo?
Para entender a ferramenta, primeiro precisamos entender o espectro. O olho humano enxerga entre 400 e 700 nanômetros (nm). Tudo "acima" desse comprimento de onda é infravermelho, mas é aqui que a história se complica:
Infravermelho refletido (NIR/SWIR): Comporta-se como a luz visível. Necessita de uma fonte (o sol ou um iluminador). "Rebate" nos objetos.
Infravermelho térmico (LWIR): Não é luz refletida; é calor emitido. Todos os objetos acima do zero absoluto irradiam energia.
Análise do Espectro para Profissionais
Banda Espectral | Alcance aproximado. | O que ele detecta? | Aplicação principal |
NIR (Infravermelho Próximo) | 0.7 – 1.4 µm | Luz solar refletida | Agronomia: Índices de vigor (NDVI), clorofila. |
SWIR (Onda Curta) | 1.4 – 3.0 µm | Refletido + Emitido | Segurança/Industrial: Visibilidade através de neblina, pisos úmidos. |
LWIR (Térmico) | 8 – 14 µm | Calor emitido (radiação) | Segurança/Industrial: Busca noturna, falhas elétricas, vazamentos. |
1. Drones térmicos (LWIR): O olho que vê o calor
Ideal para: Técnicos de Segurança, Bombeiros e Engenheiros Eletricistas.
A termografia não "vê" objetos; ela vê diferenças de temperatura. Uma câmera térmica, equipada com um microbolômetro, converte a radiação térmica invisível em uma imagem chamada termograma.
Vantagens operacionais:
Independência de luz: Funciona na escuridão absoluta (0 lux).
Penetração: Permite enxergar através de fumaça densa e neblina leve.
Contraste biológico: Um intruso ou uma pessoa perdida brilha intensamente contra um fundo frio (floresta ou terreno).
O fator crítico: Radiometria
Para os engenheiros, um ponto brilhante não basta. Eles precisam de câmeras radiométricas. Estas armazenam um valor de temperatura exato em cada pixel da imagem, permitindo diagnosticar se um transformador está apenas "quente" ou sob risco crítico de explosão.
2. Drones de infravermelho próximo (NIR): O Analista de Superfície
Ideal para: Engenheiros Agrícolas e Florestais.
Diferentemente das câmeras térmicas, as câmeras NIR (comumente chamadas de câmeras multiespectrais na agricultura) necessitam de luz. Sua principal função é analisar como a luz interage com a matéria orgânica.
Por que isso é vital para o agrônomo:
Plantas saudáveis absorvem muita luz vermelha e refletem muita luz infravermelha próxima (NIR). Quando uma planta está sob estresse (por pragas, falta de água ou nutrientes), ela para de refletir a luz NIR muito antes de parecer amarela para o olho humano.
Usos: cálculo do NDVI, zoneamento de culturas, contagem de plantas e análise fenológica.
Comparação direta: qual escolher para sua missão?
Para facilitar sua decisão de comprar ou alugar equipamentos, utilize esta tabela de referência rápida:
Cenário | Tecnologia recomendada | Porque? |
Busca e resgate noturnos | Térmico (LWIR) | Ele detecta o calor corporal sem a necessidade de luz. |
Monitoramento de culturas (NDVI) | Infravermelho próximo (NIR) | Analise a saúde da clorofila usando a reflectância. |
Inspeção de painéis solares | Térmico (Radiométrico) | Detecta "pontos quentes" (células queimadas) devido ao excesso de calor. |
Vigilância Perimetral | Híbrido (Térmico + Visual) | Detecta o intruso (térmico) e identifica quem é (visual). |
Mapeamento da umidade do solo | Infravermelho (SWIR) | A água absorve fortemente certas faixas do infravermelho. |
A revolução do sensor híbrido
Hoje em dia, a tendência profissional não é escolher, mas sim combinar. Drones de nível empresarial (como o Mavic 3 Enterprise ou a série Matrice) incorporam cargas úteis híbridas.
O poder da fusão:
IImagine detectar um ponto quente em um telhado (vazamento térmico), mas não saber exatamente onde ele está porque a imagem térmica tem baixa resolução.
Um sistema híbrido sobrepõe as bordas e texturas da câmera visual (RGB ou NIR) ao mapa de calor térmico. Isso fornece ao técnico de segurança ou engenheiro o contexto necessário para tomar decisões rápidas.
Guia do comprador: 3 fatores a considerar
Se você está prestes a investir em equipamentos, verifique estes três pontos na ficha técnica:
Resolução do sensor:
Brinquedo: 160x120 px (Insuficiente para trabalhos profissionais).
Padrão: 320x256 px.
Resolução profissional: 640x512 px (Necessária para inspeções elétricas ou buscas em grandes altitudes).
Capacidade Radiométrica:
Você precisa saber se o objeto está a 40°C ou 80°C? Se a resposta for sim, você precisa de um sensor radiométrico.
Lentes/Campo de Visão:
Lentes grande-angulares para busca em grandes áreas; lentes teleobjetivas para inspeção de linhas de energia a uma distância segura.
Esta análise simplificada dos principais fatores ajudará você a selecionar a melhor configuração para operações com drones térmicos, infravermelhos ou híbridos.
1. Tipo de sensor
Escolha se sua missão requer imagens térmicas, imagens infravermelhas ou um sistema híbrido.
A tecnologia térmica é a mais indicada para detectar calor, como em operações de busca e salvamento, combate a incêndios ou inspeções elétricas.
A tecnologia infravermelha é ideal para análise de superfície, como na agricultura ou no monitoramento de materiais.
Os sistemas híbridos combinam ambas as abordagens, fornecendo dados térmicos e detalhes da superfície em um único voo.
2. Resolução e radiometria do sensor
Sensores de resolução mais alta proporcionam imagens mais nítidas e precisas.
Um sensor térmico de 640×512 fornece dados mais claros e precisos do que um sensor de 320×256.
Sensores radiométricos permitem a medição de temperatura em nível de pixel, o que é importante para inspeções industriais.
3. Carga útil e desempenho do drone
Certifique-se de que seu drone suporte o peso do sensor sem comprometer a estabilidade ou o tempo de voo. Cargas úteis com dois sensores geralmente exigem:
Maior capacidade de elevação
Tempos de voo mais longos
Estabilização gimbal mais robusta
4. Condições da missão
Pense no ambiente em que você estará voando:
A tecnologia térmica é mais eficaz em condições de escuridão, fumaça, neblina ou pouca luz.
Os raios infravermelhos são eficazes para a análise de superfícies durante o dia.
Sempre busque um equilíbrio entre resolução, tipo de sensor e condições de voo para obter resultados práticos.
Escolher a combinação certa de drone e sensor garante que sua missão seja eficiente, segura e forneça os dados necessários.
Conclusão
Entender a diferença entre drones térmicos e infravermelhos ajudará você a escolher a ferramenta certa para o seu trabalho.
Um drone termográfico detecta o calor emitido e é ideal para busca e resgate, combate a incêndios e inspeções industriais.
Um drone infravermelho detecta a luz infravermelha refletida, o que é útil para analisar superfícies, vegetação e materiais. Sistemas híbridos fornecem informações térmicas e detalhes da superfície em um único voo.
Ao escolher um drone, comece definindo seus objetivos de missão. Em seguida, considere o tipo de sensor, a resolução, a capacidade de carga útil e o ambiente em que você irá voar. A configuração adequada melhora a precisão, a eficiência e a segurança. Depois de entender essas diferenças, escolher o melhor drone termográfico ou sistema híbrido será muito mais fácil.
DOCUMENTO DE REFERÊNCIA TÉCNICA
Tema: Fundamentos e Metodologia de Inspeção com Sensores Aerotransportados
Seminário de Tecnologias Aplicadas
Autor: Departamento de Engenharia - QTS SRL
1. Sumário executivo
O sensoriamento remoto utilizando VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados) frequentemente combina duas tecnologias distintas: imagens no infravermelho próximo (NIR) e termografia no infravermelho de ondas longas (LWIR). Este documento estabelece as diferenças físicas, os princípios de funcionamento e as fórmulas de correção necessárias para transformar imagens aéreas em dados de engenharia confiáveis.
2. Fundamentos Físicos
2.1 O Espectro Invisível
A diferença fundamental reside na origem da energia capturada:
Infravermelho próximo (NIR - 0,7 a 1,4 µm): Energia refletida. O sensor capta fótons do sol que refletem na superfície. Depende da iluminação externa. É usado para índices de vegetação (NDVI).
Infravermelho térmico (LWIR - 8 a 14 µm): Energia emitida. O sensor capta a radiação emitida pelo próprio objeto com base em sua temperatura molecular. Ele opera na escuridão total.
2.2 Tabela Comparativa Técnica
Variável | Sensor NIR (Multiespectral) | Sensor LWIR (Termográfico) |
Princípio | Óptica (Reflexão) | Termodinâmica (Emissão) |
Material do sensor | Silício (CMOS/CCD) | Óxido de vanádio (microbolômetro) |
Dependência Leve | Total (Cegueira noturna sem luz) | Nulo (Veja 24 horas por dia, 7 dias por semana) |
Comportamento do vidro | Transparente | Opaco (Espelho Térmico) |
Aplicação principal | Saúde das plantas, mapeamento 3D | Inspeção elétrica, vazamentos, SAR |
3. Metodologia de Inspeção Termográfica
Para que uma inspeção seja válida, ela deve ir além da imagem qualitativa e aplicar correções quantitativas.
3.1 A Lei de Stefan-Boltzmann
A potência total irradiada por unidade de área é dada por:

Onde ε é a emissividade do material (de 0 a 1). Um erro na estimativa de ε resulta em um erro exponencial na temperatura calculada.
3.2 Correção de carga e vento (linhas de energia)
Uma falha elétrica pode parecer insignificante se a linha estiver com baixa carga ou houver vento. O Delta T deve ser normalizado projetando-o para o pior cenário possível:

3.3 Correção de Irradiância (Painéis Solares)
De acordo com a norma IEC 62446-3, as inspeções de sistemas fotovoltaicos exigem uma irradiância mínima de 600 W/metro quadrado.

4. Erros críticos a evitar
4.1 A regra dos 60 graus (emissividade angular)
A emissividade não é constante; ela diminui drasticamente se o objeto for observado em um ângulo rasante.
Regra: Nunca faça medições com um ângulo de incidência superior a 60° em relação à normal da superfície.
Efeito: Ângulos maiores aumentam a refletividade, mostrando temperaturas falsamente baixas ("Falsos Negativos").
4.2 Cruzamento Térmico
Fenômeno que ocorre ao amanhecer e ao entardecer, quando a temperatura do objeto se iguala à do ambiente devido à inércia térmica.
Consequência: Perda total de contraste (lavagem térmica).
Recomendação: Evite voar durante períodos de mudanças rápidas na luminosidade do sol.
5. Critérios de gravidade (padrão NETA)
Para sistemas elétricos (Delta T na referência):
Clase 1 (1° C – 10° C): Possível deficiência. Monitoramento.
Clase 2 (10° C – 20° C): Provável defeito. Reparo programado.
Clase 3 (> 20° C): Deficiência crítica. Reparo imediato.
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