Diferença entre satélites multiespectrais e hiperespectrais
- Ricardo Gallardo
- há 1 dia
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Satélites multiespectrais e hiperespectrais são ferramentas fundamentais para o sensoriamento remoto.
Ambos captam a luz refletida da superfície da Terra em diferentes comprimentos de onda do espectro eletromagnético, mas fornecem diferentes níveis de detalhe para diferentes finalidades.

Principais diferenças
A diferença fundamental reside na quantidade e na largura das bandas espectrais que cada sensor é capaz de capturar.
Recurso | Satélites Multiespectrales | Satélites Hiperespectrales |
Número de Bandas | Poucos (geralmente entre 3 e 15). | Centenas ou até milhares. |
Largura de banda | Ampla (captura grandes blocos do espectro). | Muito estreito e contínuo. |
Tipo de dados | Imagens discretas em canais específicos (por exemplo, vermelho, verde, azul, infravermelho próximo). | Um espectro contínuo para cada pixel (uma "assinatura espectral" completa). |
Complexidade dos dados | Moderado. Fácil de processar e armazenar. | Muito alto. Requerem grande capacidade de processamento e armazenamento ("cubos de dados"). |
Objetivo principal | Diferenciar grandes categorias (em água, vegetação e solo). | Identificar a composição exata de um material (por exemplo, tipo específico de mineral ou espécie vegetal). |
Satélites multiespectrais
Sensores multiespectrais medem a energia refletida em um pequeno número de bandas largas. Eles são os mais comuns e acessíveis no mercado comercial.
Principais usos:
Monitoramento Agrícola Geral: Esses sistemas são ideais para o cálculo de índices de vegetação, como o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada). Permitem avaliar o vigor geral das culturas, detectar estresse hídrico e mapear grandes áreas de terra.
Avaliação de Danos: Essas ferramentas são extremamente úteis para identificar rapidamente áreas que sofreram danos físicos recentes. Por exemplo, comparando imagens de antes e depois, é possível delimitar a área de plantações (como árvores frutíferas ou vinhedos) que foram afetadas por eventos climáticos como granizo..
Topografia e Obras Civis: São utilizadas para levantamentos topográficos em grande escala, planejamento de movimentação de terras e atualização de modelos de elevação, frequentemente complementando dados fotogramétricos obtidos com drones.
Gestão Ambiental e Florestal: Mapeamento da cobertura do solo, monitoramento do desmatamento e monitoramento da expansão urbana.
Satélites hiperespectrais
Os sensores hiperespectrais capturam informações em centenas de bandas contíguas e muito estreitas. Isso significa que, em vez de simplesmente detectar a cor "verde", o sensor captura a assinatura química exata desse verde, gerando uma assinatura espectral única para cada material.
Principais usos:
Agricultura de Precisão Avançada: Enquanto a imagem multiespectral indica "esta planta está estressada", a imagem hiperespectral pode dizer "esta planta tem uma deficiência específica de nitrogênio" ou identificar uma doença específica antes que os sintomas sejam visíveis nas folhas.
Análise Complexa do Solo: Permite mapear a mineralogia e a composição química detalhadas dos solos, detectando níveis precisos de matéria orgânica ou salinidade, o que é vital para ajustar a fertilização e o manejo da irrigação em nível microscópico.
Qualidade das colheitas: Elas têm o potencial de analisar características bioquímicas das colheitas a partir do espaço, que podem ser correlacionadas com métricas de qualidade (como níveis de proteína em grãos ou açúcares em frutas).
Mineração e Geologia: Exploração de depósitos minerais através da identificação da assinatura espectral exata de diferentes tipos de rochas na superfície.
Resumo:
Seja para monitorar a saúde geral de uma plantação, projetar um sistema para quantificar danos causados por granizo em grande escala ou atualizar modelos topográficos para engenharia, a tecnologia multiespectral (seja baseada em satélite ou instalada em drones) oferece o melhor equilíbrio entre custo, disponibilidade e facilidade de processamento.

Se o objetivo é realizar análises químicas remotas, detectar doenças específicas em estágios muito iniciais ou identificar a composição mineralógica exata do solo, a tecnologia hiperespectral é a ferramenta adequada, embora exija um processamento de dados muito mais robusto.
Para obter mais informações:



